segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Marido não é parente


meu casamento


Não. Marido não é parente. Mas é aquele que a gente escolhe para a vida toda. É uma escolha e o princípio máximo da liberdade é o ato de escolher, de preferir.

Pai, mãe e irmãos, tios, primos e avós não são escolhidos por nós. São obras do acaso e não são todos que são privilegiados em nascer em uma família amável e unida. Existem famílias que são verdadeiros sacrilégios.

Eu tive a sorte de ser bem nascida.

Mas não é sobre a minha família que quero falar. E nem de amigos, porque esses também são os irmãos que a gente escolhe.

“Esposo” vem do latim 'sponsare’ que é sustentador, patrocinador. Na prática o esposo é àquele que mantém o lar protegido, e aqui não falo do sustento e proteção somente pelo salário do homem, mas sim do carinho, da ternura, da cumplicidade.

Nas famílias do mundo contemporâneo, não manda mais quem ganha mais. O sustento não só depende do homem; as mulheres como estamos calejados de saber, contribuem em muito com as despesas da casa e algumas bancam grande parte ou 100 % de tudo.

O mundo já não é mais como o de minha avó, que era exclusivamente dona de casa e mãe. Com a liberdade sexual, com a possibilidade de escolhas e de experimentações as mulheres passaram a ter o direito de escolherem se querem passar os seus dias e noites ao lado de um homem, sem a necessidade de terem que assumir o compromisso de um casamento ao subordinarem-se as vontades dos pais ou da sociedade.

Hoje escolhe-se casar ou curtir a solteirice para todo o sempre, amém.

Portanto, com tantas opções, porque o namoro virou um mercado (pode-se escolher trocar beijos com playboys, badboys, mauricinhos, coroas, tiozinhos, ricos, pobres, feios, bonitos, sarados, estranhos, nerds e até com rapazotes de 18 aninhos), eleger só um entre todas as criaturas disponíveis do sexo oposto é prova de amor.

Por escolha, livre e espontânea encarar o altar, o “sim’ ao pé do juiz, ou amigar com fé é a maior prova arcaica de amor que pode existir em tempos modernos.

 Marido não se torna parente, mas torna-se confidente, companheiro, amigo e amante. Briga-se por ele e com ele. Conta-se com ele.
E finalmente ele é escolhido para formar a sua família, quando um sangue é misturado com o do outro. O filho tornou-se parente de ambos.

E assim os filhos que tiverem um dia irão escolher alguém de outra família, que também não se tornarão parentes e irão gerar uma outra vida, que irá escolher um  outro alguém.... e tudo se torna um ciclo.

Não. Meu marido não é meu parente. O sangue que corre lá não é o mesmo que corre cá. Mas ele é o meu escolhido.

em 06 de setembro de 2008... o dia em que fizemos a nosso aliança




5 comentários:

Rose disse...

Que lindo Keila.
Eu ja estou casada ha quase vinte anos.
E recentemente descobri que o homem que escolhemos pra ser nosso marido e mais importante em nossa vidas ate que os parentes dos quais em nossas veias corre o mesmo sangue.
Tipo assim:
"Descobri que te amo demais.
Descobri em voce minha paz.
Descobri sem quere a vida.
Verdade."

Dama de Cinzas disse...

Acho que marido tem que ser em primeiro lugar seu amigo, se você não puder conversar sobre tudo com ele, dificilmente o casamento suporta o cotidiano de meias palavras.

Então acho que marido é um amigo com um algo mais... rs

Beijocas

Lilian disse...

E em algum livro famoso esta escrito alguma coisa mais ou menos assim: "Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne"

Deinha disse...

Muito bonita sua experiência!Lindo texto!!!!Apesar de não ter um deu para ter um, admiro quem conquista alguém de caráter e amigo.Os iguais é que se atraem.Um grande beijo!

Lara Mello disse...

Mossa! Lindo! Também me sinto assim em relação a Zé, ele é a pessoa que vai viver toda a minha vida comigo.. AMÉM! =)